Caminhei sob a lua vermelha de ontem, pelo umbrais escusos no astral.
Debaixo daquela luz, parecida com a penumbra de um pôr do sol continuo, me vi diante do sofrimento e da dor.
Em meio a escravos, trabalhando, suados e aparentemente cansados, me vi perambulando entre os estábulos, carregando algo pesado sobre os ombros. Já estava agonizando quando um rapaz de pele escura e olhar sereno retirou o objeto de mim, me dando sensação de leveza e liberdade.
Saltei sobre pequenas banheiras brancas dispostas paralelamente umas às outras. Não tenho certeza de quantas, talvez umas cinco ou seis, mas sempre ao cair na água delas, notava que ali existia alguma planta pontiaguda, onde seus galhos perfuravam minhas pernas e ali ficavam atravessadas.
Após saltar pela ultima banheira, não resisti a dor e cai ferido no solo. Não havia sangue, apenas um caldo espesso negro que brotava dos ferimentos.
Passei a retirar um à um, com ajuda de uma espécie de alicate, os galhos atravessados em minhas pernas e, a cada galho retirado, brotava do ferimento o tal líquido. A dor lasciva não me fazia parar até que o último fosse retirado. Ao final da agonia, comecei a rezar um pai nosso e acordei ainda rezando, confortável em minha cama, ainda com as dores e sensações do sonho. Acho que de alguma forma, entendi o real significado da quaresma.
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